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ninfeias

O NINFEIAS, núcleo de pesquisa coordenado pela pesquisadora e performer Nina Caetano - professora do departamento de artes cênicas da UFOP - visa a investigação de teorias feministas e práticas performativas. Funciona como uma rede colaborativa, instigando a provocação artística, encontros e trocas entre estudantes e mulheres da comunidade ouropretana. Os encontros do núcleo ocorrem no DEART e, neste semestre, são às terças-feiras, de 19 às 21h, e às quartas, de 10 às 13 h.
Atualmente o NINFEIAS é composto pelas performers pesquisadoras Thaiz Cantasini, Karla Ribeiro, Mara Reis, Mayra Pietrantonio, Carolina Reis e Lívia Maria. Também participam desta rede colaborativa: Paola Giovana, Olívia Coelho, Isabelle Balbi, Isabella Mayrink, Thaís Muniz e Carolina Pienegonda.

quarta-feira, 11 de março de 2015

OUVIDOS IMPOSSÍVEIS , 
MULHERES IMPOSSÍVEIS



É preciso subverter as sonoridades opressoras do cotidiano para que ecoe a parafernália vocal entalada da minoria mulher.
Quantas músicas você cantou e que não passaram de uma cantada?
Quantas cantadas baratas viraram sangue dentro e fora das casas?
Se queremos novas escrituras sonoras, que comecemos a retalhar nosso corpo em som e impiedade para desmontar o castelo de chumbo onde somos princesas que repetem frases sem sentido e que, sem percebermos, formaram um hino. Um hino do patriarcado.
Quando subverto a canção, subverto meu corpo inteiro e ouço para além das grades, para além da masmorra.
Quando ouço para além das grades, escuto um oásis, seu movimento inacreditável. Onde mora um cuspe de liberdade. E é esse cuspe de liberdade que possibilita o existir das nossas correntezas.
Cada mulher empoderada comporá a sua própria música.
E quando cada uma cantar a sua, junto com a canção da outra, das outras... não há dúvidas de que o ruído insuportável das subjetividades nos soará harmonioso como quem dorme depois de cessada uma guerra.
Abramos escuta para que o timbre da palavra respeito seja mais estridente que o do fiu-fiu nosso de cada dia.
Escutemos os pássaros do quintal para que possamos alçar os vôos certeiros da águia.



"Tornar audíveis as forças não audíveis, como propõe Deleuze. Afirmar um ouvido impossível no lugar de um ouvido absoluto".  (Artefilosofia n.9 p. 71, 2010)





O vídeo acima é um esboço de trabalho, uma possibilidade que tenho vivido e proposto dentro do Núcleo de Investigações Feministas NINFEIAS. E aqui, com as mulheres do bairro Sta Cruz, em Ouro Preto-MG foi elencada a música "Jesus Cristo", de Roberto Carlos, como música de trabalho de um dos grupos de mulheres presentes na tarde de Ocupação Feminista. Depois de escuta, toque e fios de percepções coletiva, nós avançamos para um trabalho de composição musical para uma nova letra para esta canção. Um exercício.
A mulher compositora traceja sua subjetividade propondo uma marca sonora num tempo-espaço. Leio isso como empoderamento feminino. Porque o tempo musical propõe pequenas fissuras no tempo cronológico. 

Pequenas revoluções cantantes, 

micropoderes em gestação e vazão.

vivenciando soRoridades em soNoridades.




(Thaiz Cantasini)


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