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O NINFEIAS, núcleo de pesquisa coordenado pela pesquisadora e performer Nina Caetano - professora do departamento de artes cênicas da UFOP - visa a investigação de teorias feministas e práticas performativas. Funciona como uma rede colaborativa, instigando a provocação artística, encontros e trocas entre estudantes e mulheres da comunidade ouropretana. Os encontros do núcleo ocorrem no DEART e, neste semestre, são às terças-feiras, de 19 às 21h, e às quartas, de 10 às 13 h.
Atualmente o NINFEIAS é composto pelas performers pesquisadoras Thaiz Cantasini, Karla Ribeiro, Mara Reis, Mayra Pietrantonio, Carolina Reis e Lívia Maria. Também participam desta rede colaborativa: Paola Giovana, Olívia Coelho, Isabelle Balbi, Isabella Mayrink, Thaís Muniz e Carolina Pienegonda.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Dos lilazes de cada dia:

NINFEIAS – Núcleo de Investigações Feministas
Ocupação Feminista 25 de novembro de 2014.
Natureza: Relato de vivência
Ação: Oficina com usuárias do CRAS Centro de Referência e Assistência Social – Bairro São Cristóvão – Ouro Preto-MG
Redigido por Thaiz Cantasini

Durante a ocupação realizada aos 25 de novembro de 2014 no Clube Quinze de Novembro, aconteceu a oficina com mulheres sob a condução de Thaiz Cantasini e Karla Ribeiro.
Os jogos trabalhados partiram do estudo acerca do método Boal “Teatro do Oprimido” (Jogos para Atores e não-atores) e  de suas variações com jogos de abertura de ouvidos de R.Murray Shafer contidos em “O Ouvido Pensante” (2009).  Além disso, as oficineiras experimentaram a inserção de práticas nas entrelinhas de ambos os métodos, a partir do instante-já provocando o feminino de cada participante.
A oficina teve duração de 2 horas, estando presentes e ativas: Taynara (Assistente Social do CRAS-São Cristóvão); Natália (Assistente Social do CRAS-São Cristóvão); Diva (Usuária do CRAS – São Cristóvão); Isabela (graduanda em Artes Cênicas UFOP); Cida (Feminista do Sarau das Cachorras); Karla (Oficineira) e Thaiz (Oficineira).
Esperávamos mais mulheres, mas o tradicional tempo chuvoso de Ouro Preto-MG, acreditamos, tenha sido um empecilho para a participação integral das convidadas participantes. Porém, a prática foi realizada e pudemos presenciar e vivenciar um espaço de troca entre mulheres de diferentes realidades. O que foi positivo, uma vez que consideramos, acima de tudo, uma oficina como um espaço democrático-afetivo de experienciação coletiva tendo como objetivo a troca de saberes, percepções e possíveis empoderamentos aos diferentes femininos, ali, em teia, acontecidos.
Pensando em novas maneiras, libertárias, de se viver o feminino no cotidiano e tendo como arcabouço teórico Augusto Boal e R.Murray Shafer demos início a oficina dando ênfase ao corpo de cada mulher e sua construção social aliado á práticas de percepção sonora e composição musical a partir do espaço em que estávamos.
Acreditamos que o processo de criação musical a partir da percepção do espaço em que a pessoa está inserida, altera seu olhar sobre seu “estar no mundo”. Segundo Hermann Hesse, em o Jogo das Contas de vidro,  “A música de uma época harmoniosa é calma e jovial, e o governo equilibrado. A música de uma época inquieta é excitada e colérica, e seu governo é mau. A música de uma nação em decadência é sentimental e triste, e seu governo corre perigo”.
            A realidade de um grupo é explicitada no seu fazer musical. Essas vivências e investigações sonoras captadas no espaço, seja por uma imagem fixa, em movimento, ou mesmo uma memória latente desta pessoa, exterioriza sua maneira de entender o mundo e levanta reflexões de como modificá-lo.
Propusemos perguntas em papeís dobrados e anônimos como: “Como está seu feminino hoje?” e “Do que você precisa se livrar para ser livre?” e a partir das respostas tivemos o material (palavras e sons do espaço) para inserirmos na composição musical coletiva.
Uma das participantes, chamou a nossa atenção por escrever e ler com muita dificuldade. No exercício “Mimosas Bolivianas” de Boal (onde a participante é tocada pelas companheiras aleatoriamente, reagindo a este toque com um movimento contínuo e leve, criando danças pessoais estimuladas por estes mesmos toques), percebemos a dificuldade, também de se movimentar, de Diva. Ao final da prática, Diva dançava com os olhos fechados, já sem nenhum som que a acompanhasse. Um dos momentos mais bonitos da tarde...Em seu relato escrito, que teve a ajuda de parceiras de oficina para organizar as letras como queria no papel, ela escreveu: “Sinto mulher como nunca a tempos”.
Agora, inseriremos aqui fotos dos relatos sobre os femininos das participantes. Diva quis assinar o nome.




Depois das composições musicais e da escuta destas, queimamos os papéis com as respostas da seguinte pergunta: “Do que você precisa se livrar para ser livre?”. Um ritual. As cinzas, a lágrima. Certo grão de alívio. Um recomeço, uma força coletiva pelo fim da violência contra mulheres, contra todas. E um mantra que repetíamos, em coro, observando as cinzas, os nossos “Nãos”:
Eu me amo. Eu me aprovo. Eu mereço o melhor. Eu aceito o melhor agora... Eu me amo. Eu me aprovo. Eu mereço o melhor. Eu aceito o melhor agora... Eu me amo. Eu me aprovo. Eu mereço o melhor. Eu aceito o melhor agora....

Encerramos o encontro com um abraço caracol, aninhadas, animadas...!


Thaiz Cantasini
NINFEIAS – Núcleo de Investigações Feministas

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