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ninfeias

O NINFEIAS, núcleo de pesquisa coordenado pela pesquisadora e performer Nina Caetano - professora do departamento de artes cênicas da UFOP - visa a investigação de teorias feministas e práticas performativas. Funciona como uma rede colaborativa, instigando a provocação artística, encontros e trocas entre estudantes e mulheres da comunidade ouropretana. Os encontros do núcleo ocorrem no DEART e, neste semestre, são às terças-feiras, de 19 às 21h, e às quartas, de 10 às 13 h.
Atualmente o NINFEIAS é composto pelas performers pesquisadoras Thaiz Cantasini, Karla Ribeiro, Mara Reis, Mayra Pietrantonio, Carolina Reis e Lívia Maria. Também participam desta rede colaborativa: Paola Giovana, Olívia Coelho, Isabelle Balbi, Isabella Mayrink, Thaís Muniz e Carolina Pienegonda.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

história da sexualidade, foucault 1

versão 00 Fichamento – História da Sexualidade, a vontade de saber, v 1, Michael Foucault “Segundo Foucault, a sociedade capitalista não obrigou o sexo a calar-se ou a esconder-se. Ao contrário, desde meados do século XVI-processo que se intensifica a partir do século XIX com o nascimento das ciências humanas- o sexo foi incitado a se confessar, a se manifestar.(…). Uma primeira abordagem (…) parece indicar que a colocação do sexo em discurso foi submetida a um mecanismo de crescente incitação (…)” compondo inclusive uma ciência da sexualidade. (Roberto Machado)* Cáp 2 – a hipótese repressiva A incitação aos discursos Foucault contrapõe a hipótese de que a partir do século 17, com a burguesia, surgiria um período de repressão sexual e que dela haveria vestígios na sociedade moderna. Para ele, entre o século 17 a 20, há uma explosão do discurso sobre o sexo. Talvez tenha ocorrido uma depuração do vocabulário permitido: “polícia do enunciado”, “onde falar”, situações em que é permitido, relações sociais que permitem falar sobre o sexo e, também, as regiões de silêncio absoluto, onde não pode ocorrer o discurso: relação pais e filhos, patrões e serviçais. Mas, analisando-se minunciosamente, o discurso cresceu, principalmente a partir do século 18. Aumentam-se os discursos no campo do exercício do poder, tanto institucionalmente, quanto pelas instâncias do poder. Sendo que estas apresentam uma curiosidade, obstinação, em apurar e detalhar sobre o sexo. A igreja também incita este discurso, indicando que as confissões dos fieis sejam as mais detalhadas possível, com atos, desejos e pensamentos sexuais. A contrarreforma estimula a prática de confissões, e dá maior gravidade à penitência relacionada as ‘insinuações da carne’: “Tudo deve ser dito”. Para o bom-cristão há a “tarefa de dizer, de se dizer a si mesmo e de dizer a outrem, o mais frequentemente possível, tudo o que possa se relacionar com o jogo dos prazeres, sensações e pensamentos que tenham alguma afinidade com o sexo”, portanto, há a colocação do sexo em discurso. Um efeito do discurso sobre o sexo da igreja do século 17 é a influência e projeção na literatura erótica do mesmo período. As confissões sexuais por ora ditas aos padres tornam-se presentes também na literatura, ambas em primeira pessoa. Mas, enquanto a pastoral procurava gerar “domínio, desinteresse, reconversão espiritual, retorno a deus, efeito físico de dores devido a ‘tentação’ ”, o romancista aspirava repetir, prolongar e estimular as cenas sexuais. Só que ambas trazem a tarefa de se dizer tudo sobre seu sexo, tarefa existente há 3 séculos. Considerando-se estes três campos: Igreja, Instâncias do Poder e Instituições, tem-se que “o sexo é açambarcado e como que encurralado por um discurso que pretende não lhe permitir obscuridade nem sossego”. Não há uma censura sobre o sexo, mas uma “aparelhagem para produzir discursos sobre o sexo”. Sua expansão ocorreu principalmente pelo “interesse público”, em que apresenta seu mecanismo de poder em que tem como essencial para a sua manutenção o discurso sobre o sexo. No início do século 18 associa-se ao sexo um discurso de racionalidade, surgem incitação política, econômica e técnica, a falar sobre o sexo. “Análise, contabilidade, classificação, especificação – há pesquisas quanti e qualitativas”. Já entre os séculos 18 e 19 outros focos suscitam o discurso sobre o sexo, como a medicina, a psiquiatria e a justiça penal. Governos passam a lidar com ‘população’, ao invés de povo ou sujeitos. E nesta população são problematizadas a natalidade, a mortalidade, o uso de contraceptivos, a esterilidade, a idade do casamento, o nascimento legítimo/ilegítimo, a frequência das relações sexuais, todas questões girando em torno do sexo. “A conduta sexual da população é tomada como objeto de análise e alvo de intervenção”, surgem a regulação natalista e antinatalista, a análise de condutas sexuais, e as campanhas. O sexo é julgado legalmente, administrado, gerido e analisado. Torna-se questão de ‘polícia’, não a polícia repressiva, atual, mas a polícia do sexo, que o regula por meio de discursos úteis e públicos, e não pelo rigor da proibição. O sexo tornou-se objeto de disputa ente o Estado e o indivíduo, o que antes era conversado entre crianças e adultos já não ocorre. Outras pessoas é quem falam sobre, há outros pontos de vista e outros efeitos do discurso sobre o sexo. Os colégios do século 18 evidenciam o pensamento e construção focados na regulação do sexo, incluindo precauções, punições e responsabilidades, formulados pelas pessoas que organizavam, autorizavam e arquitetavam o espaço educacional. As evidências constam no espaço da sala, na forma das mesas, no arranjo dos pátios e dormitórios, nos regulamentos de recolhimento e sono. O discurso interno da instituição diz que a sexualidade existe, precoce, ativa e permanente. O sexo colegial torna-se problema público. Médicos aconselham escolas e famílias, pedagogos projetam metodologias, professores falam e escrevem aos alunos. Enquanto na Idade Média havia um discurso unitário em relação ao sexo (da confissão e da carne), nos séculos posteriores via-se que esta unidade discursiva se dispersou, decompondo-se e multiplicando-se. Este processo foi marcado por conflitos entre o discurso confessionário (em primeira pessoa) e os discursos racionalistas. Num período historicamente curto, 300 anos, ocorre um grande acúmulo de discursos sobre o sexo (biológicos, pedagógicos, econômicos, psicológicos, judiciais), e hoje acreditamos piamente que falamos timidamente ou pouco sobre o sexo. Em relação a linguagem do discurso sobre o sexo, Foucault considera que as alterações na expressão/vocabulários em relação ao sexo têm a função secundária de tornar o seu discurso “moralmente aceitável e tecnicamente útil”. A discrição e o mutismo funcionam ao lado de estratégias amplas. Para além do binarismo, que vê ‘o que se diz’ e ‘o que não se diz’, há diferentes maneiras de não dizer, há uma distribuição diferenciada de quem pode e quem não pode falar sobre, há permissões para alguns tipos de discursos. Enfim, será que dizer que não se fala sobre sexo não é uma incitação a se falar mais dele? “O que é próprio das sociedades modernas não é o terem condenado, o sexo, a permanecer na obscuridade, mas sim o terem-se devotado a falar dele, sempre, valorizando-o como ‘o segredo’. ” *As partes entre ("") foram diretamente extraídas do livro. retirado de https://acaboclavaifalar.wordpress.com/

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