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ninfeias

O NINFEIAS, núcleo de pesquisa coordenado pela pesquisadora e performer Nina Caetano - professora do departamento de artes cênicas da UFOP - visa a investigação de teorias feministas e práticas performativas. Funciona como uma rede colaborativa, instigando a provocação artística, encontros e trocas entre estudantes e mulheres da comunidade ouropretana. Os encontros do núcleo ocorrem no DEART e, neste semestre, são às terças-feiras, de 19 às 21h, e às quartas, de 10 às 13 h.
Atualmente o NINFEIAS é composto pelas performers pesquisadoras Thaiz Cantasini, Karla Ribeiro, Mara Reis, Mayra Pietrantonio, Carolina Reis e Lívia Maria. Também participam desta rede colaborativa: Paola Giovana, Olívia Coelho, Isabelle Balbi, Isabella Mayrink, Thaís Muniz e Carolina Pienegonda.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

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Adorando viver meu feminino livre, sozinha. E descobri uma coisa, que resolvi contar hoje, quase uma urgência. Aliás, assumo, é uma urgência. Vontade mesmo de falar sobre isso. Não é uma postagem para ser lida e curtida, não. Eu estou escrevendo isso prá mim. É. Prá eu me lembrar disso. É uma afirmação que faço prá mim. Eu irei reler tudo isso quando terminar de escrever, talvez várias vezes. Eu preciso fazer isso, porque procuro uma palavra que corresponda a algo que só intuo, só percebo. Líquido, gasoso, sem nomeações. Porque estou no impulso de beber essa escrita e não quero desatar desse empurrão que me ocorre agora. Correnteza íntima, deságuo.
(Diário de menina? Sei lá.)
Quero escrever sobre esses momentos raros de vida que tenho passado, entendendo meus processos de intuição.
Olho minha cara no espelho e ela parece uma cara mais arisca.
(e eu percebo que estou envelhecendo essa cara, eu acho isso bonito.)
Sinto-me acarinhada como moradora desse corpo. Observo o mundo. Ajo-mundo. Peso e flutuo mundo. Tomei uma espécie de cápsula de mundo e, então, o que se apresenta lembra uma deriva consciente. Algo assim.
Mas não sou mais sereia, eu sou uma pedra de litoral, dessas que se avista ao longe e serve para querer sentar, ver o mar, ver o lago. Eu não sou mais o lago também. É esse perceber-me esta outra coisa que move essa escrita. Eu deixei de ser contemplação. Estou um pouco tinta, um pouco rabisco, um pouco pincel, um pouco tela, um pouco rascunho, um projeto que não quer ser resultado, entende? É dessa dobra e desse desvio onde observo e fruo mundo, nuances de mundo. Mostruário de tintas e texturas. Cor-turas diferentes.
Metades em mim tecidas em sombra e luz, consciência de existência singular e coletiva. Eu sou uma mulher e respiro junto com outras, outros. Qual é a música das nuances de respiração do feminino? Quais o desenho dessas nossas ondas? Como ressoamos todas em suspiros, gemidos, alívios, descansos, fluxos, refluxos, partos, carnes, tempos?
Eu não escuto essa música porque eu não paro de compô-la. Mas sinto minhas companheiras. Nós, perceptos em frequências.

(T.C - 17/04/2014 - 13:03h)


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