foto

foto

ninfeias

O NINFEIAS, núcleo de pesquisa coordenado pela pesquisadora e performer Nina Caetano - professora do departamento de artes cênicas da UFOP - visa a investigação de teorias feministas e práticas performativas. Funciona como uma rede colaborativa, instigando a provocação artística, encontros e trocas entre estudantes da Graduação e da Pós Graduação da UFOP e a comunidade ouropretana.
Atualmente o NINFEIAS é composto por Amanda Marcondes, B. Campos, Caroline Andrade, Caroline de Paula, Caroline Moraes, Danielle dos Anjos, Giulia Oliva, Jackeline Análio, Keila Assis, Marcinha Baobá e Renata Santana.
Mostrando postagens com marcador Monólogos da Vagina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monólogos da Vagina. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de agosto de 2017

manifesto I

Uma vida sem sentido.
Um corpo para ter, absorver a imagem que TE mandam exercer. - não! não gritou.


~~~~Como eu saio daqui? Estou presa a essa única forma de ser humano.
Sou vendada e vendida, como qualquer alfinete que costura os pontos rompidos do meu sofrimento- - -
-
- -
- - -
- - - -
- Não quero ser e estar nessa estrutura.tô sangrando por não ter escolhas e são ELAS TODAS IGUAIS. As MESMAS que cobrem seu corpo pra não revelarem seus sentidos.
- - - - - - - mas sua alma grita LIBERTE-SE!

Quebre essas correntes que te querem dominar e seja livre IGUAL UM PÁSSARO, QUE VOA!
E faz desse voo a sua história... aquilo que quer ser.

Sangre por aquilo
que vale a pena.
Capaz você é
de gerar um ser
e você está nessa mercê.

Caminho trilhando a loucura da dor de saber que é mais um, nesse caminho a sofrer. Uma estrada onde me colocam para caminhar de joelhos. levantei. eu e você. meu ser, andaremos em pé.

Carolina Reis


Imagem: Rosana Paulina - Série Bastidores, 1997.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Vagina, um codinome.

estava molhada.
na sala um cheiro de óleo de lavanda. caminhei diante dos teus olhos. ela percorreu com seus dedos pequenos a minha barriga, com suas unhas grandes, arranhou minha vulva quente.
teus olhos continuavam a me perseguir, parecia um jogo sem fim.
quando ela ameaçou sua língua contra pêlos, d'eu. gemi alto.
trouxe os dentes, num singular gesto, mordeu com tanta doçura meus lábios febris.
- qual o nome?
fiquei desconcentrada. - como assim? que nome?
- quero chama lá como se fosse uma pérola, ou uma comida para envolver toda a língua, nesse leite que escorre pra mim. vai.. me diz! como posso chamar tua buceta?
ri. comecei a ri, é claro! era a noite, ouvia as músicas mais sexy da gal costa. mas ao mesmo tempo ela trazia no olhar uma condução, quando perguntava para mim qual era o nome da minha vagina. e ao mesmo tempo me deixava sem graça... um nome para minha vagina? era isso? um nome?
- chama de vavá, vai!  - ou gina, aquela que prende teu petisco.
- pode chamar também, de ná! ou não chama... sente ela comigo.

daniela maia


quarta-feira, 5 de julho de 2017

minha vagina é um animal

minha vagina é um animal que sangra todo mês e não morre.
minha vagina é uma vaca sagrada que alimenta com seu leite os infiéis.
uma cadela domesticada que abana o rabo quando lhe fazem carinho.
minha vagina é um animal tímido, que se esconde na toca ao menor ruído.
minha vagina é arisca.
minha vagina é lânguida e se alonga como um gato sob o sol.
mas, por dentro, é uma onça brava.
minha vagina voa livre e orgulhosa, altiva como uma ave.
minha vagina é uma pomba da paz em meio à guerra dos mundos.
minha vagina cavalga e escoiceia, impetuosa.
minha vagina cheira a suor quando está no meio de suas pernas.
minha vagina é um peixe que desliza suavemente em suas águas.
suas escamas brilham entre as pedras.
minha vagina tem dentes e língua. minha vagina lambe e morde.
minha vagina é um animal selvagem.
minha vagina não aceita coleira nem voz de comando.
minha vagina é um animal perigoso. tocá-la é a morte para você.
minha vagina é um cão de três cabeças: a primeira expele fogo, a segunda gelo, e a terceira veneno.
minha vagina é um monstro, metade mulher, metade bicho.
minha vagina pode matar.


exercício de criação textual de Nina Caetano
experimento cênico-performativo Monólogos da Vagina
com Karla Ribeiro, Lívia Maria, Mara Reis e Mayra Pietrantonio.


domingo, 2 de julho de 2017

minha vagina é um chocolate meio amargo

minha vagina não é doce
e não se derrete fácil
embora seja vulnerável a altas temperaturas.
neste caso, se aquecida,
fica logo molinha
e solta aromas pela casa.
se aquecida,
ela escorre e lambuza
deixando um gosto forte em sua boca.
minha vagina é um chocolate meio amargo
que vai bem com sabores ácidos
e línguas ferinas

quarta-feira, 28 de junho de 2017

minha vagina sente

minha vagina sente
espasmos calor frio
calafrios
minha vagina sente(-se)
em arroubos e contrações involuntárias
minha vagina sente o tesão crescer
em descargas elétricas
estremecimentos
minha vagina sente sem querer.
ela se alonga, preguiçosa
ao sentir o dedo em suas bordas
ela geme e grunhe
sente o toque a língua a saliva úmida
ela sente o cheiro de suas axilas
e sorri
minha vagina sente amor
ela sangra
ela escorre e se aprofunda
minha vagina abisma-se em si
invagina-se.

minha vagina é um animal selvagem

minha vagina é um animal selvagem,
gata arisca que não se deixa amansar.
precisa chegar devagar, sem querer domar
ela é voraz, inquieta
quer agradar? é só lambê-la toda.
e sem pressa.


sua vagina tem cheiro de que?

sua vagina tem cheiro de que?


minha vagina tem cheiro de
vagina
sangue
aloe vera
cachoeira
mar
manjericão
orgasmo
floresta
sal
maconha
segredo
cachaça
perfume de pomba gira (risadas)
(risadas)
chiclete tutti frutti
água benta
champagne com morangos
gasolina (gasolina neles!)
cheiro de choro
de lágrima
de cuspe.

exercício de criação do experimento cênico-performativo Monólogos da Vagina
com Carolina Reis, Karla Ribeiro, Lívia Maria, Mara Reis e Mayra Pietrantonio.

se sua vagina se vestisse, ela vestiria o que?


se sua vagina se vestisse, ela vestiria o que?


se minha vagina se vestisse, ela vestiria                                                                          
erva de cheiro
terno
pétalas
arame
chave
cortina
renda
chitão
água
ela não ia usar nada
pregador
armadura
barro
guerra
gozo
nuvem
espinho
asas
gripe
cabelo

exercício de criação do experimento cênico-performativo Monólogos da Vagina
com Carolina Reis, Karla Ribeiro, Lívia Maria, Mara Reis e Mayra Pietrantonio.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A barbie tem vagina?

dolls de Jake and Dinos Chapman

Da boneca
sem vagina
a menina nada tem

Suas coxas
         não são como as minhas
Seus seios
        não são os ausentes-meus
Sua bunda
       não chegou aqui
Suas pontas
        em mim são pés

Mas ela está aqui
            ela é viva
a vejo na TV
a vejo no PC
a vejo

dolls de Hans Bellmer
Vejo gente que virou ela
ou ela que virou a gente?
                                 não sei
só sei
que a quero!

peço à pai
         mas ele não mora com mãe
peço à mãe
         mas ela chora
   se peço
   ela chora

Disse que também queria
mas que não podia
cresceu assim

Talvez se tivesse
          seria diferente
Branca     alta
     elegante
rica
     loira     peituda
talvez            se tivesse
seria gente
               ou
ainda seria como a gente?

A única coisa desse 'corpo' que se assemelha ao real, ao agora da menina, seria sua vagina. Que deixa de existir, e, assim, a menina deixa de existir.
www.acaboclavaifalar.blogger.com